O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do Aedes aegypti, um mosquito diurno que se multiplica em depósitos de água parada acumulada nos quintais e dentro das casas. Ela constitui um sério problema de saúde pública no mundo, especialmente em países tropicais onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito vetor. Apenas as fêmeas alimentam-se de sangue. Elas costumam picar nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, tendo preferência pelos pés ou parte inferior das pernas.

      Uma fêmea do mosquito Aedes aegypti, quando infectada pelo vírus, pode dar origem a gerações de mosquitos infectados, colocando seus ovos no ambiente. Na fase larvária, esses vivem em água parada. É muito comum encontrá-los na água armazenada para uso doméstico ou em qualquer lugar onde haja água limpa acumulada. Os ovos do mosquito podem sobreviver um ano em ambiente seco, enquanto esperam a estação seguinte de chuvas para formar novas larvas.

Sintomas:


      Existem quatro tipos diferentes desse vírus: os sorotipos 1, 2, 3 e 4. Todos podem causar as diferentes formas da doença. A grande maioria das infecções é assintomática. Quando surgem, os sintomas costumam evoluir a três formas clínicas: a dengue clássica, similar à gripe; dengue hemorrágica, mais grave, caracterizada por alterações da coagulação sanguínea; e a chamada síndrome do choque associado à dengue, forma raríssima, mas que pode levar à morte, se não houver atendimento especializado.

a) Dengue clássica: Nos adultos, a primeira manifestação é a febre alta (39º a 40º), de início repentino, associada à dor de cabeça, prostração, dores musculares, nas juntas, atrás dos olhos, vermelhidão no corpo (exantema) e coceira. Num período de 3 a 7 dias, a temperatura começa a cair e os sintomas geralmente regridem, mas pode persistir um quadro de prostração e fraqueza durante algumas semanas.  Nas crianças, o sintoma inicial também é a febre alta acompanhada apatia, sonolência, recusa da alimentação, vômitos e diarreia. O exantema pode estar presente ou não.

b) Dengue hemorrágica: As manifestações iniciais da dengue hemorrágica são as mesmas da forma clássica. Entretanto, depois do terceiro dia, quando a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival, vaginal, rompimento dos vasos superficiais da pele (hematomas), além de outros. Em casos mais raros, podem ocorrer sangramentos no aparelho digestivo e nas vias urinárias.

c) Síndrome do choque associado à dengue: O potencial de risco é evidenciado por uma das seguintes complicações: alterações neurológicas (delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia), sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva, derrame pleural.  As manifestações neurológicas, geralmente, surgem no final do período febril ou na convalescença.


     Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue. Tomar muito líquido para evitar desidratação e utilizar medicamentos para baixar a febre e analgésicos são as medidas de rotina para aliviar os sintomas. Pacientes com dengue, ou com suspeita da doença, precisam de assistência médica. Sob nenhum pretexto, devem recorrer à automedicação, pois jamais podem usar antitérmicos que contenham ácido acetilsalecílico (AAS, Aspirina, Melhoral), nem anti-inflamatórios (Voltaren, diclofenaco de sódio, Scaflan), que interferem no processo de coagulação do sangue.

Como combater:

  • Descarte ou esvazie regularmente latas de metal, recipientes plásticos, vasos de cerâmica, latas de lixo e outros recipientes que retêm água.
  • Tenha cuidado redobrado com pneus descartados. A água parada em pneus é um local comum para a proliferação dos mosquitos.
  • Limpe as calhas entupidas do telhado e remova todas as folhas e os detritos que possam impedir o escoamento da água da chuva.
  • Emborque as piscinas de plástico e os carrinhos de mão quando não estiverem em uso.
  • Mantenha as piscinas limpas e adequadamente cloradas; remova a água parada de coberturas de piscinas.
  • Mantenha a sua caixa d’ água muito bem tampada.
  • Nos pratinhos de vasos de planta, a água deve ser sempre escorrida. Caso seja possível, retire-os ou faça furinhos.
  • Nos ralos de sua residência, verifique se há entupimento. Se houver, providencie o imediato desentupimento. Mantenha-os sempre tampados.
  • Lave o recipiente de água do seu animal de estimação usando escova e sabão pelo menos uma vez por semana. Troque a água diariamente.
  • Em lagos e cascatas decorativas, mantenha sempre a água limpa. Crie peixes nesses locais, pois eles se alimentam das larvas do mosquito.
  • Caso sua residência possua cacos de vidro nos muros, coloque areia naqueles que possam acumular água ou quebre-os para que a água possa escoar.
  • Evite acúmulo de água em plantas, como bromélias.
  • Verifique sempre as áreas que podem reservar água no interior da casa, como vasos sanitários desativados, bandejas de geladeira ou de ar-condicionado.